Antonia Osorio

"Em busca de um encontro com minha alma"

Como você se definiria? Em que caixas você entraria para apresentar as pessoas quem você é? E quantos desses rótulos realmente entregam o significado da sua existência?

Eu posso lhes dar meu nome. Antonia Aparecida Osorio Rodriguez. E com ele uma história. A minha bisavó se chamava assim e meu pai tem a variante do nome em masculino: Antonio. Mas esse não é seu primeiro nome. Eu acredito no significado dos nomes e como cada um deles pode ter um dedo do destino nas nossas vidas, mas não o suficiente para defini-las. É só um tempero a mais num prato que faz a diferença mas não é a refeição em si. O meu significa "de valor inestimável", "sem preço". Mas ainda não sei qual o sentido dele na minha história.

Posso lhes dizer também que faço faculdade de Artes Visuais Licenciatura, sou apaixonada por psicanálise e história da arte. Gosto de compreender a existência humana e acompanhar os diversos sentidos que tentamos nos atribuir ao longo dos séculos. O quando tentamos expressar quem éramos e o que sentíamos. Utilizando de milhares de formas de linguagens artísticas para isso.

Uma artista na qual me inspiro, tanto pela força da mulher selvagem existente nela quanto pela incrível arte, é a Frida Kahlo. A filosofia de vida que ela levava, seu amor incondicional e intenso, sua arte tão imersiva e verdadeira da sua própria realidade me fazem esperar que seja como ela um dia. Me faz querer que seja tão leal a mim mesma, a vida e meus sentimentos quanto ela.

A frase "em busca de um encontro com minha alma" representa meu estado e preocupações atuais. Estou tentando me ver. Me perceber no mundo e compreender meu lugar. Saber o que eu sou, o que eu tenho e o que posso me tornar. Tudo isso sem me resumir ou limitar de alguma forma.

Mas é claro que vocês não vieram aqui só para ler sobre o que me rodeia. Como também é claro que não é minha responsabilidade suprir o que falta em vocês. Isso pode parecer rude, mas é só uma forma de libertação das pressões que costumamos impor a nós mesmos. Entretanto eu acredito que é meu dever compartilhar o que sei, passar meu conhecimento adiante e esperar que isso ajude alguém de alguma forma. Então aqui vou expor aquilo que sei e aquilo que penso. Como uma contadora de histórias me comprometo com as lições e verdades daquilo que compartilho, mas cabe a vocês decidirem o que fazem com o que entrego.

Agradeço aos que leram até aqui e que me incentivaram a escrever e ser quem sou.

Antonia Osorio

#1

perspectiva

nessa vida de isolamento, muitas vezes nos sentimos sem muita perspectiva... é difícil olhar o que está acontecendo ao redor, mas é mais difícil ainda compreender o que está acontecendo em você. quando falamos sobre nós, sobre amor próprio, independência, auto cuidado etc, temos que tomar o cuidado de não nos tornarmos narcisistas, de não anularmos a existência do outro, de não sermos humildes e honestos de compreendermos que sim, precisamos de outras pessoas. ninguém vive e se sustenta sozinho. não por muito tempo. de qualquer forma, porquê estou escrevendo tudo isso? sempre tive medo de me tornar narcisista, de acabar sucumbindo ao limbo das redes sociais e anulando a minha vida exterior. de não compreender a importância dos outros ao meu redor. não só aqueles que tenho contato intimo e fazem parte do meu círculo de amigos, mas aquelas pessoas também que, vivendo suas próprias vidas, realizando seus próprios trabalhos, acabam interferindo na minha.seja fornecendo serviços, como as pessoas que costuram e confeccionam a roupa que compro em alguma loja, os escritores que trabalham em livros que me transformam, o entregador que traz meu pedido... todas essas pessoas. mas de alguma forma o isolamento me fez pensar em como eu quero viver minha vida não só em relação as redes sociais, mas em relação à como vou querer que seja meu dia a dia, meus valores, minha história.
e, por fim, depois de tanto pensar, eu decidi que compartilhar esses pensamentos, esses escritos e ideias talvez não façam mal nenhum. não quero impôr uma vida perfeita. dizer que o sol sai a brilhar todos os dias mesmo em tempos nublados. na verdade, é só uma reflexão. como ela pode impactar a sua vida, ser humano que leu até aqui, cabe a você decidir. porque uma das verdades da vida é que muitas situações semelhantes acontecem a muitas pessoas, mas o que difere como a vida delas pode mudar são suas próprias ações diante dessa mudança. o destino final desses escritos é que, daqui a um ano, quando tiver completado 20 anos, eu possa compreender o que não realizei e valorizar o que aconteceu nesses 365 dias. talvez com esses escritos conhecer novas pessoas, ver novas ideias, novos mundos. ou ser mais um dos projetos que ficarão no passado. de qualquer forma, obrigada por ler até aqui. por se conectar comigo e com meus sentimos o suficiente para de alguma forma ainda estar aqui, talvez procurando uma resposta ou só querendo matar a curiosidade de saber do que este enorme texto se trata. de qualquer forma, muito obrigada.
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o que você espera de você? todos os dias e para daqui a um ano?

#2

cada passo

quando começamos uma jornada, é normal sentirmos medo e olharmos para trás. na verdade, é essencial que isso aconteça. você precisa compreender quem foi ontem e quem é hoje. porque assim cada passo que der agora terá sentido. terá um objetivo. um novo horizonte, uma nova aventura, um novo caminho. quando Bilbo Bolseiro passou horas olhando para aquele papel onde deveria assinar seu nome e escolher viver sua aventura, ele pensou em tudo o que tinha, o peso que seu nome, sua vida, sua história carregava. tudo que havia vivido e como eram seus dias para decidir se mudaria sua sina ou não. e mesmo quando decidiu pela mudança, ainda foi custoso estar num lugar desconfortável sem seus lenços de bolso. ele chegou até mesmo a pensar se valeria a pena voltar. porque queremos viver na alegria eterna, no conforto, nos campos de flores. hoje em dia, cada vez mais, as redes nos condicionam a esse pensamento. a vestirmos uma história que não nos convém. que é impossível de ser vivido.
este é o momento que estou agora. na porta da minha casa me perguntando do que sou feita, do que vou viver e para onde vou seguir. o que molda meus valores? que referências eu tenho? quais são meus direitos e deveres? o que eu acredito e o que eu quero no fim dessa jornada?
hoje aprendi a importância desse reconhecimento. não a ponto de me prender a ele e não deixar a história prosseguir, mas entender essas dimensões do meu ser são o caminho para a estrada que quero seguir. pode ser que eu mude de caminho, pode ser que eu encontre pessoas ou prossiga sozinha, muito pode acontecer agora. existe um leque de possibilidades. mas é preciso decidir uma por uma. e a decisão mais importante agora foi feita. eu vou seguir. em frente. na direção do sol, por enquanto. e vou deixar para encontrar todas as respostas no caminho. eu sei meu nome, minha idade, meus valores e o que eu mais amo. e por enquanto, isso basta.

e para você?

#3

impressão

"você não pode captar a vida inteira de um homem em duas horas. no máximo pode deixar uma impressão." _ mank, filme Netflix.
eu vejo como as pessoas se desdobram, diminuem, fragmentam dia após dia, para se resumirem a uma medida 1:1 no instagram, diminuem suas palavras em até 280 caracteres no twitter, 30 segundos no tiktok… e assim se sentem sempre incompletas, incompreendidas. o pior é que elas acreditam que são o erro. porque num mundo onde o pouco é ótimo, o rápido e essencial, esquecemos que olhar a alma leva tempo. não queremos prolongar, ler textos, pensar, questionar, nos aprofundar. porque somos condicionados a pensar que isso é perder. tempo, felicidade, estabilidade. afinal tudo é tóxico e o que é ruim é excluído de nossas vidas. só pode existir felicidade, a plena e fortificada felicidade que só as mídias podem te dar. rolando a tela para baixo todos os dias, engolindo conteúdos mastigados nos streamings, repetindo discursos prontos… estou lendo o livro chamado "admirável mundo novo" e não consigo deixar de ficar assombrada em ver como nosso mundo está cada vez mais próximo da realidade concebida pelo incrível ford no livro. onde é horror ficar triste, pensar, sentir… é muito mais fácil tomar um soma. uma droga com todos os efeitos de uma droga comum, mas sem as consequências ruins depois. será mesmo? pensamos o mesmo hoje em dia das redes sociais. nada pode nos fazer mal, um pouco de horas gastas vai me deixar mais feliz.
talvez esteja fugindo um pouco do que realmente quero dizer. o que penso é que você não é o problema. sua solidão é completamente aceitável e compreensível, afinal, você está sozinho. ninguém te conhece de verdade, você mostra e molda a realidade de quem é nas mídias. ninguém pode compreender suas tristezas e suas dores. ainda vendo o número 300.000 e sabendo que são pessoas que morreram, para aqueles que não perderam ninguém próximo, é difícil sentir esse impacto, esse desespero que o número causa em outras pessoas. porque estamos cada dia mais frios. mais robóticos. não é totalmente nossa culpa, afinal, nascemos no sistema. mas somos nós que o mantemos funcionando. alimentando cada dia um lugar onde não queremos pensar. 
sim, eu uso o instagram para compartilhar meus pensamentos, mas de fato quantos leram até aqui? quantos vão ler e se sentirem aptos a mudar? a ver o mundo de forma diferente e quebrar esse sistema? e será que isso realmente é possível? somos capazes de nos libertar e sairmos de um lugar que já está estabelecido e bem fixado?
a verdade é que eu estou cansada de viver essa rotina. acordar. redes. me alimentar. redes. me sentir culpada ou planejar a foto perfeita. redes. trabalhar. redes. voltar para casa. redes. jantar. redes. dormir. 
um looping infinito onde sinto que estou perdendo muito. nesta pandemia, nessa quarentena, nesse isolamento, eu chorei dias e dias por não poder simplesmente ver aqueles que amo. meus amigos, meu namorado, minha família. porque estávamos presos em casa. tudo que podia ver eram fragmentos de um espelho quebrado e incompleto. que nunca seria metade do que eles são para mim. nunca iria refletir a real emoção de tê-los comigo. de poder abraçar, sentir, compartilhar risos. 
por isso estou nessa caminhada. talvez esteja tendo a falsa ilusão de que se eu seguir por esse caminho, eu vou encontrar um lugar onde as redes não sejam necessárias como confirmação de existência. como uma prova de que tudo que eu faço é uma boa razão para estar viva. de provar que mereço essa vida e que mereço pertencer. não quero isso. eu quero viver porque estou aqui. viver da forma que me convém sem afetar a liberdade do outro e sem ferir aqueles ao meu redor. eu quero poder ter um dia fora do que seria julgado perfeito. eu quero poder ser eu mesma. completa. infinita. sem pontos finais e limitações

OH HEY, FOR BEST VIEWING, YOU'LL NEED TO TURN YOUR PHONE